Dúvidas
frequentes
Perguntas e respostas retiradas de um folheto da
Liga Brasileira de Esperanto e do TTT-ejo do Grupo Esperantista da
Baixada Santista e
adaptadas por
Felipe de Oliveira Queiroz.
1. Esperanto? O que é isso?
R.: É uma língua criada pelo lingüista e
médico oftalmologista L. L. Zamenhof, com o intuito de que
todo o mundo a adote como a ponte entre todos os povos. É
uma língua planejada, sem exceções
gramaticais, regular, simples e além de tudo neutra, pois
não é de nenhum povo em particular nem oficial de
algum país, mas sim de todos os povos. Ou seja,
ninguém precisa abrir mão da sua
língua materna, o que é um patrimônio e
precisa ser preservado. Porém em
relações internacionais, usa-se o esperanto.
Assim, tudo será mais democrático e barato. Para
mais informações, veja a
seção "O que é Esperanto?" no nosso
menu.
2. Mas e o inglês? Se temos o inglês, que o Esperanto
se exploda, não precisamos dele.
R.: O inglês nunca se firmará como língua
internacional, pois como toda língua natural, é
muito difícil. Tudo bem, muitos dizem o contrário, mas então vamos pensar sobre esse
assunto. O inglês é cheio de regras, e dentro
dessas regras existem inúmeras
exceções. Hoje em dia, nós brasileiros
estudamos inglês ao menos desde a 5ª
série do ensino fundamental, sem falar nas escolas
particulares que geralmente começam a ter inglês
como matéria no pré-primário. Escolas
de língua inglesa existem em cada esquina. Cursos em forma
de revistas são encontrados em todas as bancas, com direito
a fitas k-7, CD, e toda a parafernália. Filmes em
inglês, nem se fala. E com tudo isto a favor, quantos que
REALMENTE falam inglês? Bom, como disse, o inglês
é uma língua riquíssima em
exceções e nacional. Pense, por exemplo, naquela
gama de verbos irregulares (to eat, to buy, e outros). Pense na não-lógica da pronúncia da
língua inglesa. Pense no dinheiro e no tempo gastado para
aprender o inglês. Muitos jovens do mundo todo se inscrevendo
em programas de intercâmbio para países
anglófonos, jovens coreanos fazendo cirurgias linguais para
melhor falar inglês, enquanto os anglófonos...
...ah, os anglófonos possuem a enorme vantagem de possuir o
english como língua materna, e estudarem outra
língua por prazer e livre e espontânea vontade.
Lembre-se, apenas 6% a 9% do mundo falam inglês.
Você acha certo 91% a 94% serem obrigados nesse mundo
globalizado a aprenderem a língua inglesa? Nós
já vivemos sob esse grande bombardeio do inglês no
Brasil e poucos possuem o real interesse de aprender. Isso
já nos diz muito.
Como
disse o professor Pedro Cavalheiro, os anglófonos
apoiam o inglês dado como matéria nas escolas
porque este forma consumidores fiéis de seus
países: "...a escola FORMA. E nesse caso, forma
consumidores dóceis da cultura norte-americana e inglesa.
Consumidores de música, cinema, turismo e tudo mais que nos
chegue em inglês. É fácil constatar. Se
eu colocar aqui para tocar um Rock em, digamos, japonês ou
grego, muita gente vai rir ou achar estranho demais. Mas ouvimos Rock
em inglês, que é língua de origem
antípoda à nossa, como já dissemos, e
achamos 'natural', 'bonito'. Nossos ouvidos foram treinados para
gostar, para não estranhar, para consumir. E assim a escola
atingiu o único objetivo que tem podido alcançar
com o ensino do inglês: formar consumidores de
inglês. Não falantes. Não leitores.
Não usuários. Não
beneficiários. Apenas dóceis consumidores."
Afirmou ele em sua palestra no evento "O Esperanto nas Arcadas"
ocorrido em 10 de outubro de 2003 na Faculdade de Direito da USP no
Largo do São Francisco.
Que
fique bem claro, ninguém precisa deixar de aprender
inglês, além disso, o inimigo do esperanto
não é a língua inglesa em si. Mas
é preciso parar de tratar o inglês como
língua internacional, e tratá-lo como simpesmente
um idioma nacional, bonito, rico, cheio de cultura, porém
nacional, assim como o coreano, o japonês, o italiano, o
francês, o urdu, o bengali, o shuawili ou qualquer outro.
Adotando-se o esperanto maciçamente, idioma muito mais
simples, gasta-se menos tempo, menos dinheiro, e ganha-se mais
democracia. Outra coisa que poucos sabem, quem aprende esperanto
aprende inglês e quaisquer outras línguas mais
facilmente, e tal afirmação é
subsidiada por pesquisas de várias universidades, como a
Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de
Paderborn (Alemanha).
3. Ora, não seria muito mais fácil escolher o
chinês, que é o idioma mais falado no mundo?
R.: Não é aconselhável. É um
idioma extremamente difícil. Pense apenas na enorme
quantidade de ideogramas que deverá ser aprendido apenas
para ler um simples jornal (pense em um número bem grande,
uns 5 mil por aí, ou mais). E uma língua
internacional tem que ser simples, fácil, prática
e neutra, o que certamente o chinês não
é. Por mais que a língua chinesa seja a mais
falada no mundo, vale muito mais a pena por diversos motivos
(facilidade, gastos, etc.) os não-esperantófonos
aprenderem esperanto do que os não-sinófonos
aprenderem o chinês!
4. Certo, certo... Mas escutei que o esperanto é a
língua dos espíritas! É verdade? Acho
que vocês estão querendo me passar a perna...
R.: Os espíritas utilizam a língua com muito sucesso,
mais precisamente desde 1910, principalmente no Brasil. Mas o espe- ranto
não tem nada a ver com religião nenhuma, como foi
dito, foi projetado para o mundo todo, não apenas para esta
ou aquela religião, ou este ou aquele grupo
específico. Para confirmar isto, há alguns fatos,
não serão citados tantos para não
cansar, mas alguns que quebre este estereótipo de
"língua dos espíritas":
1. Zamenhof, o criador do esperanto, era de família judia,
apesar de não ser muito religioso;
2. O xintoísmo Oomoto em todo o mundo, mas princi- palmente no Japão, utiliza o esperanto do mesmo modo que os
espíritas;
3. No Vaticano existe a Radio Vaticana, católica, que
transmite sinais para todo o mundo em esperanto;
4. Ah, sem contar que no mundo existe a ATEO
(Associação de ateus esperantistas);
Portanto,
podemos concluir que o esperanto não é
a língua dos espíritas, e nem de
religião nenhuma, e sim a língua de todos! O esperanto sempre foi tachado erroneamente de uma coisa ou outra, muitas
vezes por evitar a propagação! Sim, já
foi rotulado de judeu, de comunista, de tudo o que for
imaginável, muitas vezes propositalmente. Já foi
inclusive proibido em países como Japão,
Alemanha, Rússia e Portugal. Inclusive não faz
tanto tempo assim, nos tempos da guerra do Golfo o único
professor declarado de esperanto foi expulso do Iraque por Saddan
Hussein! É agora a hora de esclarecer tudo.
5. Hummm... Mas então, o esperanto é
fácil de aprender?
R.: Pelo menos é muito mais fácil que aprender
inglês ou qualquer outra língua. No esperanto,
todos os verbos são regulares, todas as pessoas
são conjugadas igualmente, existem apenas 16 regras
gramaticais. E dentro destas regras nenhuma possui
exceção. A pronúncia também
segue uma lógica. O que mais? São muitas
vantagens. E por aí vai, como foi dito, é uma
língua planejada e regular! Já o
inglês, que muitos defendem, possui o maior número
de verbos irregulares do mundo entre as línguas (sim,
está no Livro dos Recordes, o Guiness Book!). Os radicais
são de línguas indo-européias, como o
latim, as línguas neolatinas, as eslavas, as
anglo-saxônicas, o iídiche, o sânscrito,
o hebraico e o grego. Já a lógica do idioma, como
a contagem de números e a aglutinação
de palavras, é análoga à
lógica dos idiomas orientais, como o japonês, o
chinês e o coreano. Alguns lingüistas dizem,
comparando-o com uma pessoa, que o esperanto possui o corpo ocidental e
a alma oriental.
6. Então, mas onde posso aprender esperanto?
R.: Pelo Brasil e pelo mundo, há vários lugares que
possuem grupos de estudos de esperanto, e para participar, geralmente
paga-se absolutamente nada ou algum pagamento simbólico,
quando muito apenas os livros, que são geralmente
acessíveis pelo preço a ser pago. Aqui mesmo
neste sítio há links muito bons de cursos
grátis, associações esperantistas, etc.
Em
muitas universidades do Brasil e do mundo há cursos de
esperanto, temos como exemplo a UNICAMP (Campinas-SP), a UFSC
(Florianópolis-SC), PUC-RJ (Rio de Janeiro-RJ), UFJF (Juiz
de Fora-MG) e a UFC (Fortaleza-CE)... E não só em
universidades, mas diversos outros locais. Também pode-se
pesquisar pela internet, há vários cursos online.
Há também inúmeros congressos pelo
mundo afora, muitos esperantistas trocando cartas e e-mails entre si,
canais do IRC, comunidades do Orkut, grupos no Yahoo, etc. Acontece
anualmente também um congresso mundial de esperanto (em uma
cidade em qualquer lugar do mundo escolhida pela
Associação Universal de Esperanto) e em
vários países ocorrem congressos a
nível nacional, estadual, municipal, regional, fora alguns
encontros. No Brasil, por exemplo, os congressos nacionais de 2004 a
2008 aconteceram respectivamente em Maceió-AL, Porto Alegre-RS, Campinas-SP, Rio de Janeiro-RJ e Fortaleza-CE, e os de 2009 e
2010 acontecerão em Juiz de Fora-MG e Campo Grande-MS.
7. Mas
é uma língua que pouca gente fala...
R.: Depende. Há pelo menos 3 milhões de pessoas que
falam esperanto fluentemente em todo o mundo segundo
projeções sóbrias. Alguns dizem que
existem até 20 milhões. É muito
difícil chegar a um número exato, pois em 1 ano
de estudo uma pessoa já pode estar falando razoavelmente
bem, então dependendo da divulgação, o número de falantes pode aumentar bastante de um ano a outro.
Com a internet, esse número têm aumentado ainda
mais. O Esperanto hoje é uma língua reconhecida e
incentivada pelos seus méritos e qualidades pela ONU e pela
UNESCO, e já ganhou 5 Prêmios Nobel. Seria bom
lembrar que, o esperanto tem menos de 120 anos de vida. O
inglês, o português, o castelhano, o
francês, e outras 'grandes' línguas demoraram
muito mais para serem hoje o que são. Se fizermos uma
analogia do esperanto com uma criança, o esperanto seria um
garoto de 6 meses que lê, escreve, toca violino, acordeom,
faz equações de 2º grau de
cabeça e ainda sabe alguma coisa de computador. Lembre-se do
tempo que demorou pro inglês sair da pequenina ilha
britânica e se propagar pelo mundo. Ou pro
português ser hoje o que é. Há o seguinte fato, o esperanto é falado em 110
países, nos 4 quadrantes do mundo, o que falta é
pessoas se informarem mais sobre, abandonar os estereótipos
que o esperanto possui hoje e estar aberto a aceitar uma
idéia nova e boa. E perdão, não
aprender o Esperanto somente porque "pouca gente fala" não
é inteligente. Se você aprender, já
é um falante a mais. E se outra pessoa resolve fazer o
mesmo, e outra, e outra, pronto, temos mais falantes! Agora, com
braços cruzados e sem atitude, com todos pensando "como
há poucos falantes não vou aprender",
não resolveremos nada nesse mundo. Como disse,
ninguém precisa abrir mão de seu idioma materno,
muito menos de aprender língua nenhuma, mas nenhuma
língua nacional tem condição nos dias
de hoje de ser a língua internacional, ou "universal" como
gostam de se retratar ao inglês.
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