História da BEJO
Certamente desde 1967, quando a BEJO foi fundada, há muita história para contar. Abaixo você pode ver alguns documentos históricos, revistas, boletins, fotos dos primeiros anos da BEJO, material coletado com a ajuda de antigos membros da organização.
Revistas, boletins e fotos - BEJO-Vikio
Abaixo um texto de Aloísio Sartorato, um dos fundadores da BEJO em 1967, onde ele relata nossos primeiros anos. Aproveite a leitura!
Notas
sobre a história da BEJO
de
Aloísio Sartorato, "Rio Esperantista" - outubro-dezembro/1988
Traduzido para o português por Felipe Queiroz
Sem
dúvida, 1987 foi um ano de festas. O Esperanto fez
100 anos, a BEL fez 80, e a BEJO fez 20. E quando
alguém faz 20 anos, é o mo- mento
ideal para
olharmos a primeira vez para trás a fim de refletir.
No
começo eram 5 jovens do Rio de Janeiro: Alfredo Enio Duarte,
Francisco Wechsler, Jair Salles, Paulo Sérgio Vianna e
Aloísio Sartorato. Era 1964 e quase todo o sábado
eles se encontravam na sede da Liga Brasileira de Esperanto (BEL) e
também na da Cooperativa Cultural dos Esperantistas (KKE).
Naquele tempo, com entusiasmo, discutiram entre si sobre a necessidade
de fundar uma seção da TEJO (a
Organização da Juventude Esperantista do mundo)
no Brasil.
Mas
em um outro extremo do Brasil, mais precisamente em Fortaleza,
o mesmo
pensamento veio na cabeça de outros cinco jovens
entu- siasmados: Carlos Lima Mello, Francisco Barbosa, Cesar Oliveira
Barros Leal e dois outros cujo nomes não me lembro mais.
No ano seguinte, juntou-se a este grupo Roberto Passos
Nogueira.
Apesar
da falta de contato entre os dois grupos, ambos decidiram
não logo fundar uma organização para
jovens, mas ainda esperar o 19º Con- gresso Brasileiro (Rio de
Janeiro-RJ) para os dois grupos discutirem sobre
a conveniência
dessa iniciativa.
E
assim aconteceu. Em outubro de 1965 os dois grupos
encon- traram-se durante o congresso e decidiram que o melhor caminho
seria organizar grupos locais ao invés de fundar a BEJO.
Como conseqüência disso surgiram os dois primeiros grupos de
jovens: no Rio, o Guanabara Esperanto Junularo (GEJ), e em Fortaleza, o
Ceará Esperanto-Junularo (CEJ).
Durante
dois anos os dois grupos agiram ativamente em seus res- pectivos
territórios, engajando mais membros. Eles
também pales- traram sobre o Esperanto e organizaram
muitos cursos dentro e fora de organizações
esperantistas. E durante esse período, eles
publicaram seus próprios boletins em Esperanto
através de uma linguagem sem censura: "Meteoro",
órgão oficial do Guanabara Esperanto-Junularo, e
"Verda Maro", órgão oficial do Ceará
Esperanto-Junularo.
Em
1967, os membros dos dois grupos se encontraram novamente. Dessa vez
em Santos Dumont-MG, no 2º Esperanto-Seminario da
KKE. Após uma reunião com
aproximadamente 30 jovens
vindos de diversos estados brasileiros, constatou-se que o solo
já estava bem preparado e decidiram fundar a BEJO
"provisoriamente". Todos aprovaram e assi- naram
o documento
que ficou conhecido como "Decralação de Santos
Dumont" (ver IMPULSO nº 1) e elegeram uma diretoria
provisória, que teve como principal tarefa o preparo do
estatuto da organização.
No
ano seguinte (1968) no 3º Esperanto-Seminario, em Nova
Friburgo, a juventude brasileira novamente se reuniu e decidiram a
respeito da fundação oficial da BEJO, aprovando o
estatuto e confirmando a diretoria provisória por mais dois
anos de mandato: Francisco Stefano Wechsler (Presidente), Roberto
Passos Nogueira (Vice-presidente das Regiões Norte e
Nordeste), Wilson Ferreira Martins (Vice-presidente da
Região Sul), Umberto Ferreira (Vice-presidente da
Região Central), Paulo Sérgio Vianna
(Secretário geral) e Aloísio Sartoarto
(tesoureiro).
A
sede da BEJO funcionava no Rio de Janeiro, onde naquele tempo existiu o
mais forte movimento jovem local, onde moravam três dos
membros da diretoria: Francisco, Paulo Sérgio e
Aloísio.
A
BEJO progrediu. Fundaram-se novos grupos jovens de Esperanto
em muitas
cidades. O órgão oficial "Impulso"
apareceu e
virou moda até fora do país. A TEJO
aceitou a
filiação da BEJO.
Os
três membros da BEJO no Rio estavam cheios de muitos
trabalhos. Francisco cuidou da revista (sob a responsabilidade
redacional de No- gueira) junto da estamparia e dos contatos com os
estrangeiros (TEJO, UEA e outros). Paulo cuidou da
correspondência nacional, contato com grupos jovens e a
redação da BEbo (BEJO Informa Bulteno).
Eu
res- pondi sobre os trabalhos da tesouraria e o arranjo de
impressão. Os outros vice-presidentes agiram como
possível em suas respectivas regiões.
Porém,
no segundo semestre de 1968, a BEJO entra em uma crise. Paulo
Sérgio teve de largar a diretoria por motivos pessoais, e eu
subitamente estava carregado também de trabalhos da
redação e da secretaria. Para mim, a
situação ficou impossível de
controlar, já que não é
possível fazer o trabalho de duas pessoas ao mesmo
tempo. Escrevi para Mello, Nogueira e José
Mário (de
Natal-RN): o movimento jovem no Rio enfraqueceu-se, enquanto no
Nordeste prospera continuadamente (na- quele tempo, já
aconteceram dois encontros regionais de Esperanto organizados
exclusivamente por jovens!); então, chegou o momento que a
parte administrativa da BEJO fosse passada para as mãos dos
nordestinos. E em 1969, no Esperanta Seminario na cidade de
São Paulo-SP, foi eleita uma nova diretoria, cujo presidente
eleito foi José Mário Marques (Natal-RN),
secretário geral Carlos Lima Melo (Forta- leza-CE), e
tesoureira Iraci Sales Nobre (Natal-RN). Vice-presidentes eleitos:
Marcelo Engrácia Garcia (Sul), Manoel Floro (Leste), Robeto
P. Nogueira (Nordeste) e Waldir Antônio Silvestre (Centro).
Então
começou na BEJO uma nova fase muito positiva, a "nordestina". A revista continuou aparecendo. Formaram-se novos grupos. O Es- peranto foi ensinado em
massa. Porém, a
organização política da
dé- cada de 70 também atingiu nosso
movimento. "Disseram" que um mem- bro da E-Junularo do Rio
Grande do Norte provocou
uma tendência política na sede. A
polícia soube do negócio e muitos membros do
grupo jovem foram convidados a irem à delegacia para darem
explicações sobre isto (se eles também
foram violentados, não sei, porém não
foi suposto isto). Esse acontecimento gravemente acabou com o
entusiasmo dos nordestinos. Pouco a pouco, a BEJO foi
agonizando, e
finalmente estagnou-se.
Somente
em 1975, como uma fênix, renasceu das cinzas
através de grupos de jovens do Rio de Janeiro, sob a
liderança de Ciro Gomes de Freitas. Mas isso
é
uma oura história, cujos detalhes podem ser melhor contados
pela segunda geração dos sócios da
BEJO. |